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Terapia individual

Para quem está dando conta de tudo por fora e não está dando conta por dentro.

São quatro e vinte da manhã e você está acordado de novo.

Não tem nada de errado acontecendo. Amanhã é um dia comum. Você dormiu às onze, não tomou café à noite, fez tudo certo. Mesmo assim os olhos abriram e a cabeça começou — aquele e-mail, a conversa de ontem, a conta do mês que vem, uma coisa que você disse em 2019 e que volta sem motivo.

Daqui a duas horas o despertador toca e você vai levantar, tomar banho, responder todo mundo, resolver o que precisa ser resolvido. Ninguém vai notar nada. Você é bom nisso.

É que faz um tempo que acordar ficou difícil. E você não sabe mais dizer desde quando.

Silhueta de uma pessoa sentada na beira da cama ao amanhecer, de costas

Você já disse alguma dessas?

  • “Estou cansado de um jeito que dormir não resolve”
  • “Sinto um aperto no peito e não sei explicar de quê”
  • “Perdi a vontade de coisas que eu gostava”
  • “Fico irritado com bobagem e depois me sinto mal por isso”
  • “Sei que tenho uma vida boa, então acho que não tenho o direito de reclamar”
  • “Não consigo desligar a cabeça na hora de dormir”
  • “Prometi pra mim mesmo que ia mudar isso, e já faz anos”
  • “Meu problema não é grave o bastante pra ocupar o lugar de quem precisa mais”

Se você reconheceu três ou mais, vale conversar.

Por que o cansaço não passa mesmo dormindo?

Porque nem todo cansaço é falta de sono. Existe um cansaço que vem de manter, todo dia, um esforço que ninguém vê: administrar a própria imagem, engolir o que não pode ser dito, decidir o tempo inteiro, não decepcionar ninguém. Esse tipo de desgaste não se recupera dormindo, porque não é o corpo que está sem descanso — é a atenção.

Quando isso se prolonga, o corpo começa a avisar antes da consciência. Sono que não restaura, mandíbula travada, aperto no peito, irritação desproporcional, perda de interesse por coisas que antes davam prazer. A pessoa geralmente procura um médico primeiro — e é o certo a fazer, porque essas queixas também têm causas clínicas que precisam ser descartadas. Quando os exames não mostram nada, sobra a pergunta: e agora?

Agora é olhar para o que está sendo carregado. Não para “resolver o emocional” como se fosse um botão, mas para entender de onde vem esse esforço permanente, há quanto tempo ele está ligado, e o que ele está protegendo.

Existe ainda um obstáculo específico deste público: a sensação de não ter direito. Quem tem emprego, casa e família costuma achar que sofrimento só conta quando há uma tragédia por trás. Não é assim. Terapia não é serviço de emergência com fila de gravidade — é um lugar para entender a própria vida, inclusive quando ela parece, de fora, perfeitamente em ordem.

    Em resumo
  • Cansaço que não melhora com sono costuma ser desgaste de atenção, não de corpo
  • O corpo avisa primeiro: sono, mandíbula, peito, irritação, desinteresse
  • Não é preciso estar em crise para ter motivo de procurar terapia

Sintomas físicos persistentes merecem avaliação médica. O acompanhamento psicológico é complementar ao tratamento médico e não o substitui.

Como eu trabalho

Cada caso é um caso. A sua ansiedade não é a mesma do João nem a da Maria — ela tem uma história, um começo, e faz sentido dentro da sua vida. Por isso eu não chego com um roteiro pronto: eu mergulho na sua história para entender a sua questão, que é única.

Trabalho com o aqui e agora — o que está acontecendo esta semana, o que apertou ontem. Mas quando o presente não se explica sozinho, a gente vai atrás: em que momento isso começou, o que estava acontecendo na sua vida naquele período, que padrão é esse que se repete.

Minha abordagem é junguiana. Na prática, isso significa que eu não trato só o sintoma: eu procuro entender o que ele está tentando dizer. Muita coisa que a gente faz não é totalmente consciente, e é aí que costuma estar o nó.

E tem uma coisa que vale mais que qualquer técnica: o vínculo. Se acontece confiança entre nós dois, o processo acontece. Se não acontecer, eu prefiro te indicar outra pessoa a insistir.

O que a gente usa no caminho

01

Escuta e história de vida

Reconstruir quando a queixa começou e o que estava acontecendo ao redor.

Na prática: as primeiras sessões são mais de mapa do que de conclusão.

02

Padrões que se repetem

Identificar o roteiro que volta em relações, trabalho e decisões — o que Jung chamou de complexos.

Na prática: “de novo a mesma coisa” deixa de ser azar e vira material.

03

Interpretação de sonhos

O inconsciente fala por imagem. Sonho que se repete quase sempre está tentando dizer algo.

Na prática: quando você traz um sonho, a gente trabalha em cima dele.

04

Atenção ao corpo

Sono, respiração, tensão, apetite. O corpo costuma registrar antes da consciência admitir.

Na prática: a gente observa o que muda no corpo nas semanas difíceis.

O que esperar — e o que não esperar

  • As primeiras sessões são mais de mapeamento do que de conclusão
  • A média é de várias sessões, uma por semana. Alguns casos pontuais se resolvem em poucas
  • Vão existir semanas em que nada parece avançar. Faz parte, e não significa que não está funcionando
  • O que aparece na sessão nem sempre é o que você levou para ela
  • Nada de pacote fechado nem de fidelidade: você para quando quiser
  • Entre as sessões, meu WhatsApp fica aberto. Se a semana apertar, a gente ajusta

Quando não sou eu

  • Criança e adolescente em sessão. Não tenho o ambiente adequado. Se a questão é um filho, atendo você — orientação aos pais é um trabalho legítimo.
  • Quem procura laudo, perícia ou avaliação psicológica. Meu trabalho é clínico.
  • Quem quer que eu diga o que fazer. Eu não dou receita. A gente constrói junto.

Se for o seu caso, me manda mensagem mesmo assim — eu indico alguém.

Perguntas frequentes

Como sei se preciso de terapia?

Não existe um limite mínimo de sofrimento. Se alguma coisa vem incomodando de forma persistente — sono, humor, relações, sentido — já é motivo suficiente. Você não precisa chegar com o problema formulado; formular é parte do trabalho.

Nunca fiz terapia. E se eu não souber o que falar?

É o mais comum. Ninguém chega sabendo. A primeira conversa serve justamente pra isso: eu pergunto, você responde o que conseguir, e a gente vai encontrando por onde começar.

Já fiz terapia e não funcionou. Por que agora seria diferente?

Pode ter sido a abordagem, pode ter sido o momento, e muitas vezes é o vínculo — que é o fator que mais pesa. Vale me contar como foi. Se depois da primeira conversa você sentir que não é comigo, eu te indico outra pessoa sem problema nenhum.

Preciso tomar remédio?

Quem prescreve é médico, não psicólogo. Se eu achar que uma avaliação psiquiátrica pode ajudar, eu digo com clareza — e o acompanhamento psicológico funciona junto com o tratamento médico, nunca no lugar dele.

Quanto tempo até eu sentir diferença?

Varia muito e eu não trabalho com prazo. Algumas pessoas percebem alívio já nas primeiras semanas só por ter onde falar; mudanças mais profundas levam mais tempo.

Dar o primeiro passo é a parte mais difícil.

A primeira conversa é curta, sem compromisso e serve para vocês dois entenderem se faz sentido seguir. É só uma mensagem.

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