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Terapia de casal

Para quando a conversa virou logística e o resto ficou por dizer.

Vocês estão no carro, voltando de algum lugar, e ninguém fala.

Não é briga. Faz tempo que não tem briga. É só que acabou o assunto que não fosse conta, filho, horário ou o que falta em casa.

Você pensa em começar uma conversa e já sabe como ela vai terminar — porque já terminou assim outras vezes. Então você não começa. E do outro lado, provavelmente, está acontecendo exatamente a mesma coisa.

Em casa vocês se organizam bem. Dividem tarefas, resolvem problemas, funcionam. De fora ninguém diria que tem alguma coisa errada. Talvez nem vocês digam.

Mas os dois sabem faz tempo.

Interior de um carro ao entardecer, dois adultos em silhueta nos bancos da frente

Algum destes é o de vocês?

  • “A gente não briga mais, e isso é pior”
  • “Só um de nós quer procurar ajuda”
  • “Viramos sócios de uma rotina”
  • “Toda discussão termina no mesmo lugar”
  • “A gente já não se toca, e ninguém comenta”
  • “Um fala e o outro já sabe o que vem, então nem escuta”
  • “Tem um assunto que a gente evita há anos”
  • “Continuamos juntos, mas não sei mais se por escolha”

Se você reconheceu três ou mais, vale conversar.

Quando procurar terapia de casal?

Antes do que a maioria dos casais procura. O sinal mais confiável não é a quantidade de brigas — é a queda de conversa. Quando o casal para de discutir e passa a apenas conviver, geralmente não houve reconciliação: houve desistência de tentar. Distância silenciosa costuma ser mais difícil de reverter do que conflito aberto.

Outros sinais que aparecem com frequência: discussões que sempre terminam no mesmo ponto, assuntos que se tornaram proibidos, divergência sobre dinheiro, filhos ou projeto de vida, afastamento físico que ninguém nomeia, e a sensação de estar dividindo tarefas com alguém em vez de viver com alguém.

Terapia de casal também não é só para casal em crise. Serve para casal que está bem e quer atravessar uma mudança grande — filho, mudança de cidade, doença na família, aposentadoria — sem que ela cobre o preço depois.

Terapia de casal funciona se só um dos dois quer ir?

Funciona, sim — e é um começo bastante comum. Quando só uma pessoa procura, o trabalho começa individual, olhando para o lugar que ela ocupa na relação, o que ela repete e o que consegue mudar sozinha. Isso já modifica a dinâmica entre os dois, porque relação é sistema: quando uma parte muda de comportamento, a outra não consegue seguir igual. Muitas vezes o parceiro que não queria vir acaba vindo depois, por conta própria.

Não é o cenário ideal, e não vou fingir que é. Com os dois presentes, cada um traz a sua versão, e o que acontece entre eles aparece na hora, com força total — isso é material que não se consegue de outro jeito.

Mas esperar o outro querer costuma custar meses ou anos. Começar sozinho é melhor que não começar. E se em algum momento a outra pessoa quiser entrar, a gente conversa sobre como fazer essa transição com cuidado.

    Em resumo
  • O sinal de alerta não é brigar muito — é ter parado de conversar
  • Serve também para atravessar mudanças, não só crises
  • Dá para começar sozinho: mudar a própria parte já move o sistema

Como eu trabalho com casais

Muito psicólogo não gosta de atender casal, e eu entendo o porquê: é mais difícil. Quando as duas pessoas estão na sua frente, o que existe entre elas aparece com força total, ali, na hora. Não dá para administrar pela versão de um só.

Eu gosto justamente disso. É onde o trabalho fica mais direto, porque o problema não é narrado — ele acontece na sessão.

Não sou juiz. Não estou lá para decidir quem tem razão, e não vou dar veredito. Meu trabalho é fazer aparecer o que está acontecendo entre vocês dois: o que um diz, o que o outro escuta, e a distância que costuma existir entre as duas coisas.

Atendo todos os casais. Dois homens, duas mulheres, casais heterossexuais, relações não-monogâmicas. Os temas que aparecem — poder, ciúme, dinheiro, desejo, silêncio, quem cede — são os mesmos. Você não vai precisar explicar a sua relação antes de poder falar dela.

Como as sessões funcionam

01

Sessão conjunta

Os dois na mesma chamada. É o formato principal.

Na prática: o que acontece entre vocês aparece ali, e é sobre isso que se trabalha.

02

Mapa do ciclo que se repete

Identificar a sequência: o que dispara, como cada um reage, onde sempre termina.

Na prática: quando o casal enxerga o próprio roteiro, ele perde parte da força.

03

O que não é dito

O assunto evitado costuma organizar a relação inteira por trás.

Na prática: nomear o assunto proibido é frequentemente o momento de virada.

04

Padrões de cada história

Cada um traz um modelo de relação aprendido antes de se conhecerem.

Na prática: parte do conflito é entre duas heranças, não entre duas pessoas.

O que esperar — e o que não esperar

  • Não vou dizer quem está certo. Não é esse o trabalho
  • As primeiras sessões costumam ser mais tensas: assuntos guardados voltam a circular
  • Melhora não é linear. Vai ter semana pior depois de semana boa
  • O objetivo não é evitar conflito, é conseguir atravessá-lo sem destruir nada
  • Sessões de uma hora, geralmente uma por semana
  • Terapia de casal não garante que o casal continue junto. Garante que a decisão, qualquer que seja, seja tomada com clareza

Quando não é o caso

  • Quando um dos dois já decidiu sair e quer usar as sessões para comunicar a decisão. É legítimo, mas é outro trabalho — vale dizer antes.
  • Quando a expectativa é que eu convença o outro de alguma coisa. Não é o que eu faço.
  • Crianças em sessão. Não atendo. Se o conflito envolve os filhos, trabalho com vocês — orientação aos pais.

Situação de violência. Terapia de casal não é indicada quando há violência física, sexual ou psicológica em curso. Nesses casos o atendimento precisa ser individual e protegido. Central de Atendimento à Mulher: 180.

Se for o seu caso, me manda mensagem mesmo assim — eu indico alguém.

Perguntas frequentes

Terapia de casal funciona se só um quer ir?

Funciona. O trabalho começa individual, olhando para a sua parte na relação. Como relação é sistema, quando um muda o outro não consegue seguir igual. Muita gente que se recusava a vir acaba vindo depois.

Como convenço meu parceiro a fazer terapia?

Convencer costuma não funcionar, porque vira mais uma cobrança. O que funciona melhor é falar do que você está sentindo, não do que ele deveria fazer. E, se ele não quiser, você pode começar sozinho — isso muitas vezes abre a porta.

Vocês fazem sessão com os dois juntos ou separados?

O formato principal é com os dois na mesma chamada. Em alguns momentos pode fazer sentido uma conversa individual, sempre combinada previamente com ambos.

Quanto tempo dura a terapia de casal?

Não tem prazo fixo. Sessões de uma hora, geralmente semanais, pelo tempo que fizer sentido. Vocês param quando quiserem.

Você atende casais LGBTQIA+?

Sim. Dois homens, duas mulheres, relações não-monogâmicas. Os temas são os mesmos de qualquer casal.

E se a gente decidir se separar durante o processo?

Acontece, e não é fracasso da terapia. Às vezes o processo serve para tomar essa decisão com clareza, e para que ela seja menos destrutiva — sobretudo quando há filhos.

Dar o primeiro passo é a parte mais difícil.

A primeira conversa é curta, sem compromisso e serve para vocês dois entenderem se faz sentido seguir. É só uma mensagem.

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