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Terapia e trabalho

Psicólogo com quase três décadas dentro de empresa antes do consultório.

É domingo, sete e pouco da noite, e começou de novo.

Ninguém falou nada. Não chegou mensagem. É só que a semana está ali, do outro lado de algumas horas, e alguma coisa no seu peito já sabe.

Você abre o celular, olha a agenda de segunda, fecha. Abre de novo. Tem uma reunião às dez que não deveria ser nada e você já está montando a resposta que vai dar.

Na segunda você vai entregar tudo. Vai ser educado, competente, vai resolver o que ninguém resolveu. Ninguém no trabalho desconfia de nada — e é exatamente esse o problema, porque também não ocorre a ninguém perguntar.

Você já pensou em pedir demissão umas cinquenta vezes. E na segunda de manhã vai trabalhar.

Sala de estar à noite, pessoa em silhueta no sofá com a luz do celular nas mãos

Você já disse alguma dessas?

  • “A angústia de domingo à noite virou rotina”
  • “Entrego tudo, mas por dentro não estou dando conta”
  • “Meu chefe me desestabiliza e eu não consigo reagir na hora”
  • “Levo pra casa o que aconteceu no trabalho e não desligo”
  • “Tenho medo de descobrirem que eu não sou tão bom quanto parece”
  • “Virei gestor e não sei lidar com a equipe”
  • “Penso em pedir demissão toda semana e nunca peço”
  • “Já não sei se é a empresa que é tóxica ou se sou eu que não aguento”

Se você reconheceu três ou mais, vale conversar.

Como saber se é burnout ou só cansaço?

Cansaço melhora com descanso. Burnout não. O sinal mais característico é voltar de um fim de semana, de uma folga ou até de férias exatamente do mesmo jeito — ou pior. Além disso, o esgotamento profissional costuma vir acompanhado de duas coisas que o cansaço comum não traz: distanciamento cínico do trabalho e do que antes fazia sentido nele, e a sensação persistente de incompetência, mesmo entregando bem.

Na prática, as pessoas percebem primeiro pelo corpo e pelo humor: sono que não restaura, irritação desproporcional, dor de cabeça e tensão que não passam, dificuldade de concentração em tarefas que antes eram automáticas, vontade de sumir na véspera de reunião.

Também é comum a queixa aparecer fora do trabalho antes de aparecer nele: você fica curto com quem mora com você, perde a paciência no trânsito, deixa de ter vontade de ver amigos. O trabalho é onde se gasta; a conta chega em outro lugar.

Esgotamento profissional está ligado ao contexto de trabalho e não é um diagnóstico que se faz por site. Sintomas persistentes merecem avaliação profissional. O acompanhamento psicológico é complementar ao tratamento médico e não o substitui.

Terapia adianta se o problema é o meu chefe?

Adianta, mas não pelo motivo que costuma se imaginar. Terapia não muda seu chefe nem conserta a empresa — e nenhum psicólogo sério vai prometer isso. O que ela faz é devolver capacidade de escolha: entender por que aquela pessoa específica te desmonta, recuperar a clareza para responder em vez de só absorver, avaliar com calma se vale ficar, negociar ou sair, e impedir que o desgaste do trabalho tome conta do resto da sua vida.

A pergunta “é a empresa ou sou eu?” quase sempre tem a mesma resposta: é os dois, em proporções diferentes, e separar isso é justamente parte do trabalho. Existe ambiente adoecedor — e existe também o jeito particular de cada um reagir a ele, que costuma ter história bem anterior àquele emprego.

Reconhecer a sua parte não é assumir a culpa. É a única parte que está sob o seu controle, e portanto a única por onde dá para começar.

    Em resumo
  • Cansaço melhora com descanso; esgotamento profissional, não
  • Distanciamento do trabalho e sensação de incompetência são sinais característicos
  • Terapia não muda a empresa — devolve clareza e capacidade de escolha

Por que comigo

Antes de me tornar psicólogo, passei quase três décadas trabalhando em empresas, na área de tecnologia.

Passei por chefe impossível, projeto que desandou, reunião em que fui exposto, política interna, cliente que não tinha como agradar, equipe em conflito. Na época eu me perguntava o que estava fazendo ali.

Depois eu agradeci. Porque quando um paciente chega falando de um gestor que o desestabiliza, ou de uma equipe que não anda, ou daquela angústia específica de domingo à noite, eu não estou entendendo pela teoria. Eu já estive ali.

Isso não substitui formação — eu sou psicólogo, com graduação pela UNIFAJ e especialização pela Unicamp, e trabalho na abordagem junguiana, e é com isso que eu trabalho. Mas vivência empresarial não se aprende na faculdade. E o paciente percebe a diferença nos primeiros dez minutos, porque não precisa explicar o contexto antes de poder falar do que dói.

Como a gente trabalha

01

Separar ambiente de história

Distinguir o que a empresa produz do que já vinha de antes.

Na prática: o mesmo chefe não desmonta todo mundo do mesmo jeito. Entender o seu jeito é o trabalho.

02

Mapear os gatilhos

Que situação específica dispara: exposição pública, cobrança, avaliação, conflito aberto.

Na prática: identificado o gatilho, dá para antecipar em vez de só reagir.

03

Padrões que se repetem

Muita gente reencontra no chefe uma figura que já conhecia de outro lugar.

Na prática: é o que a abordagem junguiana chama de complexo — e é aqui que ela rende mais.

04

Corpo e sono

O corpo registra o desgaste antes da consciência admitir.

Na prática: sono, mandíbula, respiração e domingo à noite viram indicadores acompanhados.

05

Preparar decisão

Ficar, negociar, mudar de área ou sair — com clareza em vez de impulso.

Na prática: eu não digo o que fazer. Ajudo a decidir sem ser pelo cansaço.

O que esperar — e o que não esperar

  • Eu não vou te dizer para aguentar, e também não vou te dizer para pedir demissão
  • Ninguém vai te pedir para “aceitar” um ambiente adoecedor
  • Alívio costuma vir antes de solução — ter onde falar já muda a semana
  • Domingo à noite tende a ser o último a mudar. É o sintoma mais resistente
  • Sessões de uma hora, geralmente semanais
  • Entre as sessões meu WhatsApp fica aberto. Semana de crise a gente ajusta

Quando não é o caso

  • Quem procura laudo, perícia ou documento para afastamento. Não é o meu trabalho.
  • Quem quer coach de carreira ou plano de metas. Não é terapia, e eu não faço.
  • Crianças e adolescentes em sessão. Não atendo.

Assédio moral ou sexual em curso. Terapia ajuda a te sustentar, mas não resolve o problema: isso exige registro, RH, sindicato ou advogado. Eu te acompanho no processo, e digo isso com clareza desde a primeira conversa.

Se for o seu caso, me manda mensagem mesmo assim — eu indico alguém.

Perguntas frequentes

Como saber se é burnout ou só cansaço?

Cansaço melhora com descanso; esgotamento profissional não. Se você volta de folga do mesmo jeito, e isso vem junto com distanciamento do trabalho e sensação de não dar conta mesmo entregando bem, vale investigar.

Terapia adianta se o problema é a empresa?

Terapia não muda a empresa. Ela devolve clareza para você decidir o que fazer com ela — e impede que o desgaste tome conta do resto da sua vida.

Eu não tenho tempo. Como encaixo terapia na minha semana?

Uma hora por semana, por videochamada, de onde você estiver. Sem deslocamento e sem sala de espera. Costuma ser o compromisso mais fácil de encaixar da agenda de quem trabalha muito, não o mais difícil.

Meu problema é chefe e equipe. Você entende disso?

Entendo, e não só pela teoria: trabalhei quase três décadas em empresas antes de virar psicólogo. Chefe difícil, projeto que desanda, política interna e conflito de equipe são território conhecido.

Isso é terapia ou é coaching?

Terapia. Não trabalho com metas, planos de carreira nem técnicas de performance. O trabalho é entender o que está acontecendo com você, e a partir daí decidir melhor.

Meu chefe ou o RH podem saber que estou fazendo terapia?

Não. O atendimento é sigiloso, protegido pelo Código de Ética da Psicologia. Nenhuma informação é compartilhada com ninguém sem a sua autorização expressa.

Dar o primeiro passo é a parte mais difícil.

A primeira conversa é curta, sem compromisso e serve para vocês dois entenderem se faz sentido seguir. É só uma mensagem.

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